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Emoção permeou depoimentos

"MÉRITO LITERÁRIO" - A professora, escritora e jornalista Sõnia Machiavelli Corrêa Neves foi homenageada por produzir e incentivar a literatura francana
A Medalha de Mérito Literário “Professor Luiz Cruz de Oliveira” foi proposta pelo vereador José Eurípedes Jépy Pereira. Escritor e admirador da literatura, ele foi um dos fundadores do Grupo Veredas de Literatura, em 1975. “Entendi que deveria criar essa medalha como forma de demonstrar que a cidade tem literatura, além de homenagear os escritores e incentivar todos que escrevem na cidade. O nome da Sônia foi uma escolha acertadíssima porque ela é uma pessoa que sempre gostou e apoiou a literatura”, comentou Jépy.
A escolha do escritor a ser homenageado foi definida pelos 32 membros da Academia Francana de Letras. “A medalha é mais um estímulo para que Franca continue sendo o celeiro de escritores que realmente é. Tem muitos escrevendo, a gente sabe disso, é notório, e essa medalha vem se somar a isso. A Sônia representa tudo na literatura francana. Quem escreve quer que alguém leia o que escreveu e a Sônia proporciona isso para tanta gente por meio doComércio”, argumentou o advogado e escritor José de Andrade Pires, presidente da Academia.
Com a humildade e a simplicidade de sempre, o professor Luiz Cruz de Oliveira – que dá nome à medalha – se disse “envaidecido” com a homenagem. “Embora eu tenha consciência de que não mereço isso. Tem muita gente mais importante que eu aqui, com obras mais importantes que as minhas, se é que o que escrevi pode ser considerado uma obra. Mas tenho privilégio de ter bons amigos como o Jépy”, brincou. “Já o nome da Sônia foi um ato de extrema justiça porque ninguém tem feito mais para a divulgação – não só da literatura, mas de todas as manifestações artísticas em Franca – do que ela. Ninguém merecia mais que ela, essa é a grande verdade”, ressaltou Luiz Cruz.
O diretor-executivo do GCN, Corrêa Neves Júnior, filho de Sônia, era um dos mais emocionados durante a sessão solene. “Toda homenagem obriga a um retrospecto e todo retrospecto te impulsiona para reexaminar uma história. A história da minha mãe é muito bonita, uma história de luta, de superação, de coragem. E sempre com muita elegância, com muita firmeza”, disse. “Fez-se justiça. Foi uma homenagem bonita, muitos amigos, uma casa cheia, e tudo isso deixa a gente comovido, feliz, com a certeza de que não importa o tamanho dos obstáculos, a natureza humana nos impulsiona para superar e a minha mãe é uma dessas pessoas raras que não esmorecem, que serve de exemplo para todos nós”.
O outro filho de Sônia, o empresário André Luís Corrêa Neves, admira em sua mãe o talento que ela tem para converter sentimentos em literatura. “A homenagem se justifica pelo trabalho de toda uma vida. De suas experiências emocionais, psicológicas e profissionais, ela consegue extrair contos, romances, poemas…”, disse.
Homenagem para a jornalista Sônia Machiavelli lota plenário da Câmara

SOLENIDADE - A secretária de Urbanismo e Habitação, Valéria Marson; o vereador criador da medalha, José Eurípedes Jépy Pereira; a escritora homenageada, Sonia Machiavelli; o presidente da Câmara Municipal de Franca, Marco Garcia; o escritor presidente da
A noite de sábado estava impecável. O plenário da Câmara Municipal de Franca ficou lotado de familiares, amigos, autoridades e membros da Academia Francana de Letras. Pela primeira vez, a casa de leis respirou literatura. A entrega da Medalha de Mérito Literário “Professor Luiz Cruz de Oliveira” à jornalista, escritora e presidente do Conselho Consultivo do GCN Comunicação, Sônia Machiavelli, emocionou, mas também levou o público a refletir sobre a atenção que falta às artes – de modo geral – na cidade.
“Franca tem crescido de forma espetacular no seu aspecto físico. Mas a pouca atenção às artes, e em especial à literatura francana, é contraste incompreensível e deplorável. Pergunto se não estaria na hora de o poder público se deixar afetar minimamente pela produção de nossos escritores. É frustrante a ausência de projetos consistentes que poderiam ter tornado possível, para citar um exemplo, o fortalecimento de um sonho que se estiolou, a Feira do Escritor”, disse a homenageada em seu discurso, após receber a medalha dos integrantes da mesa de honra: o presidente da Câmara, o vereador Marco Garcia; o presidente da Academia Francana de Letras, José Andrade Pires; o professor Luiz Cruz de Oliveira; a secretária de Urbanismo e Habitação, Valéria Marson (representando o prefeito, Sidnei Rocha) e o vereador José Eurípedes Jépy Pereira, autor do projeto que instituiu a medalha em 2009.
“Sem agenda não se forma público, sem público, toda arte fica condenada à anemia. Franca não tem agenda para a promoção de seus escritores. É imperativo criar uma”, completou Sônia na sessão solene da Câmara, conduzida pelo cerimonialista e gestor de Relações Corporativas do GCN, Luiz Neto. A cerimônia também foi marcada pela exibição de um vídeo-documentário com a biografia de Sônia e depoimentos de amigos escritores. “São emoções que mexem fundo, revolvem a alma da gente. O vídeo com aqueles depoimentos dos amigos foi uma surpresa e tanto! Mostrou afetos refinados e intensos que sensibilizam.”
Outro momento emocionante da noite veio na seqüência do vídeo, quando Eny Miranda, Marcos Soares, Lucinéia de Paula e Regina Bastiannini – integrantes do Grupo Veredas de Literatura – declamaram fragmentos da obra de Sônia. “Foi a realização de um sonho. Estou muito feliz. É uma noite para não se esquecer”, disse Sônia. A escritora também ficou muito emocionada no momento em que recebeu o diploma da mesa e, em seguida, um ramalhete de flores de sua neta, Júlia Neves. Em seguida falaram Valéria Marson, Luiz Cruz e, finalmente Sônia, com o discurso que abre esse texto. Fechando o evento, foi servido um coquetel aos convidados.
‘ESTÍMULO’
Sônia Machiavelli é a primeira a receber a Medalha de Mérito Literário “Professor Luiz Cruz de Oliveira”, por reconhecimento ao seu trabalho de incentivo e apoio às manifestações artísticas e literárias em Franca e região, por meio da editoria dos cadernos Artes, Nossas Letras e Clubinho – todos publicados no jornal Comércio da Franca e Portal GCN.
Formada em letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Franca (atual Unesp), Sônia tem quatro livros publicados: Uma Bolsa Grená (crônicas), Estações (contos), Jantar na Acemira (romance) e O Poço e Outras Histórias (contos). Seus poemas estão em várias antologias.
Para a escritora, a medalha representa muito mais que uma homenagem, significa mais trabalho. “Estímulo, por exemplo, para renovar o caderno Nossas Letras, que completa cinco anos em julho. Está na hora de passar por uma diagramação nova, algumas seções como a Resenha podem sair e ceder lugar para um comentário breve, abrindo-se mais espaços para a ficção”, revela Sônia, como se as ideias brotassem naturalmente naquele instante. “Um prêmio não deve servir para uma pessoa se acomodar. Tem que servir para vislumbrar horizontes, ir para frente, porque a vida é feita de mudanças”, concluiu.
Uma justa homenagem
“Usamos os espelhos para ver o rosto e a arte para ver a alma”
George Bernard Shaw, escritor e jornalista irlandês
Se tudo ocorreu como o previsto, cerca de 300 convidados se uniram aos vereadores da Câmara Municipal de Franca e autoridades do município para agraciar, na noite deste sábado, a escritora e jornalista Sônia Machiavelli com a medalha do mérito literário “Luiz Cruz”. A homenagem é justíssima. Claro que minha opinião, neste caso, é absolutamente parcial e contaminada. Sônia é minha mãe.
Ainda assim, duvido que qualquer outro observador da gente desta cidade e que tenha em seus juízos de valor um mínimo de isenção se atreva a dizer que a homenageada é indigna do prêmio que recebeu. A qualidade de sua obra literária é reconhecida por especialistas de todo o Brasil. As ações que empreendeu ao longo de três décadas em benefício das mais distintas manifestações artísticas são incontáveis. Sua trajetória, tão sólida quanto rica e elegante, fala por si.
É bom que se lembre que, no caso da minha mãe, a literatura nas mais distintas formas não é hobby nem diversão iniciada há poucos meses. Muito pelo contrário, é amor antigo, profundo, desses que exigem muito e nem sempre devolvem na mesma medida. Minha mãe e seus livros se relacionam desde sempre.
Ainda criança, me lembro de vê-la produzindo para o Comércio de casa, na rua Manacá, debruçada sobre a mesa redonda de madeira escura que hora servia para o almoço, hora fazia às vezes de escritório. Escrevia em folhas de papel sulfite sem pauta, sempre com uma caneta Bic azul empunhada com força e destreza. As linhas saíam retas, o espaçamento era perfeitamente igual, as correções quase nunca existiam. Escrevia de um fôlego só, como se o pensamento estivesse previamente ordenado e o raciocínio completamente concluído antes que a primeira linha de texto escorresse por suas mãos.
Eram tempos em que eu e meu irmão éramos pequenos demais para que pudéssemos ficar sozinhos em casa, e o dinheiro era escasso o bastante para impedir que uma estrutura de apoio permitisse que ela se afastasse dos afazeres domésticos para trabalhar no jornal. Assim, ela fazia o que pudia – e não era pouca coisa – de casa mesmo. Escrevia o TVendo, uma seção sobre os bastidores de TV; assinava com o pseudônimo de Diadorim uma coluna de opinião batizada de Ponto de Vista. Todas as tardes, um garoto chamado Nilson Fradique, que virou jornalista esportivo provavelmente seduzido pelo ambiente onde começou a trabalhar, percorria o trecho curto que separa a Ouvidor Freire da rua Manacá para buscar os “textos da Dona Sônia”. Era assim que o resultado daquelas manhãs de trabalho na mesa de madeira redonda se transformavam no dia seguinte em colunas e crônicas de jornal.
Crescemos e minha mãe mergulhou no Comércio para daqui nunca mais emergir. No jornal, escreveu de tudo, como se fosse uma versão moderna de Fernando Pessoa e seus múltiplos heterônimos. De notícias policiais com o pseudônimo nada sofisticado de “Zé da Cana” a editoriais elaborados a quatro mãos em conjunto com meu pai; de resenhas literárias a crônicas de costumes; de análises de novelas a notas de colunas sociais, minha mãe fez de tudo. E tudo fez bem.
Encampou um projeto de Mauro Ferreira e Atalie Rodrigues Alvez e deu vida a uma seção despretensiosa chamada Letras, Artes & Cia, publicada semanalmente no jornal. Dali o espaço migrou para o Caderno de Domingo, onde ficou por anos antes de dar origem ao caderno Nossas Letras. É provável que os leitores não tenham a exata dimensão do que o suplemento significa no contexto da imprensa brasileira. O Nossas Letras é hoje um dos poucos cadernos literários que restou nos jornais editados no Brasil, aí incluídos os grandes veículos das nossas capitais. É o único que conheço que se dedica apenas e tão somente a concentrar a produção artística e literária de escritores de uma determinada região. É um marco – e um orgulho – para todos nós. E um mérito, óbvio, de minha mãe, que nunca desistiu de garimpar, selecionar e motivar seus colegas a produzir para o suplemento.
Enquanto fazia tudo isso, minha mãe ainda encontrou tempo para escrever seus próprios livros. Foram quatro obras – Uma Bolsa Grená, Estações, Jantar na Acemira e O poço – de distintos gêneros, além de outras tantas participações em coletâneas ou antologias. Além disso, de forma anônima, bancou ou ajudou a bancar com recursos próprios vários autores que, sem acesso a grandes editoras ou desprovidos de condições financeiras, corriam o risco de jamais ver seu trabalho transformado em livro. Nunca pediu – e nem esperou – nada em troca. Fez porque acredita que literatura – e as artes, de modo geral – são um dom maior, uma dádiva.
Minha mãe fez tudo sem jamais recuar ou esmorecer diante de tantos desafios e obstáculos que a vida impôs a ela. Não foram poucos, assim como não foram suficientes para fazer dela vítima de depressões ou tristezas demasiadas. Aos problemas, ela costuma reagir sempre com muita força. A válvula de escape reserva para a literatura, onde expurga seus fantasmas e lida com as frustrações. Funciona bem. Garante serenidade no mundo real, resulta em literatura de qualidade no plano ficcional.
Se tudo correu como o esperado, enquanto você passeia por estas linhas minha mãe se recupera das emoções da noite de sábado, certamente muito feliz e ainda sensibilizada. Homenagens post mortem são nobres, mas pouco eficazes. O bom reconhecimento é aquele que vem em vida, que chega enquanto seu destinatário pode ter dimensão do impacto daquilo que fez durante sua existência e do resultado de seu esforço para um mundo melhor.
Graças à iniciativa do professor Luiz Cruz de Oliveira, ícone que dá nome ao prêmio, da Academia Francana de Letras e do vereador Jépy Pereira, autor do projeto, isso foi possível no caso da escritora e jornalista Sônia Machiavelli. Ainda bem. E muito obrigado.
CORRÊA NEVES JÚNIOR é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br
História Expressa: Primeiro homem na órbita terrestre

No dia 13 de abril de 1961, há 50 anos, o “Comércio da Franca” trazia como manchete principal as palavras um pouco estranhas e em desuso: ‘Volta incólume o 1º viajor sideral’. Era a Rússia (antiga URSS) assinalando o nome do Major da Força Aérea Soviética Yuri Gagarin entre os grandes feitos da humanidade. Gagarin tinha 27 anos quando realizou a viagem espacial, já era casado e pai de dois filhos.Ele morreu sete anos depois, em 1968 num acidente aéreo. O jornal descrevia a imagem dele ao retornar à Terra: ‘Sua fotografia foi transmitida pela televisão para todo o país. Nela aparece um homem garboso com trajo de astronauta e capacete na cabeça. Seus olhos são fundos e Gagarin parece sorrir ligeiramente. É um jovem robusto, tem boca rasgada e olhos amendoados’. Enquanto isso, os Estados Unidos anunciavam que lançariam em poucas semanas seu astronauta e seu presidente Kennedy felicitava os cientistas e engenheiros soviéticos pela façanha. Em plena guerra fria, a Rússia saia na frente na corrida espacial, já que apesar do anúncio, o primeiro estadunidense iria ao espaço só em 5 de maio de 1961.
A família de Gagarin foi atração nos programas da TV russa. Fábricas fecharam suas portas por algum tempo a fim de que os operários pudessem sair à rua para comemorar a proeza. O trânsito foi impedido por várias horas em Moscou. Yuri Gagarin foi o homem a dizer “a Terra é azul”, em conversa com o Primeiro Ministro russo Nikita Krushev a uma altura de 300 km descreveu: “o céu é muito escuro e a Terra é de cor azul clara”. O vôo durou 89 minutos e foi em uma quarta-feira, 12 de abril de 1961, traçou uma elipse de 174 a 302 quilômetros de distância da Terra. A nave passou sobre a América do Sul e o continente africano, sendo manejada automaticamente, pois o que pouca gente sabe é que Gagarin realizou a viagem como passageiro e não como piloto da nave.
Veja abaixo a capa do jornal da época:

