GCN na Web

Um overview de tudo aquilo que estamos fazendo na Web

Bastidores da notícia: Até que se achem os culpados e inocentes, a investigação jornalística continua

leave a comment »


Antes do padre José Afonso Dé, 74, ser indiciado por estupro pela delegada Graciela de Lourdes David Ambrósio, os repórteres e fotógrafos do GCN de Comunicação foram investigar mais sobre o passado do sacerdote nas principais cidades onde ele morou. A repórter Fernanda Bufoni partiu na tarde do Domingo de Páscoa para Apuracana e Curitiba, no Paraná.

“O padre Dé é muito conhecido nas sociedades por onde passou. A gente precisava falar o que os outros não sabem. Ao longo da investigação, fomos procurando as denúncias e o que as pessoas achavam dele. Encontramos depoimentos também de gente que o adora”, comenta Fernanda. (Leia mais).

Mas, não foi fácil. O fato de ter ocorrido um feriado religioso (o da Páscoa) dificultou um pouco o trabalho. Assim que procurou a Diocese de Apucarana, na segunda-feira que chegou à cidade, Fernanda soube que os padres estariam de folga na terça-feira.

“Apesar de todos os contatos feitos anteriormente em Apucarana e Curitiba, eu ainda não tinha descoberto uma vítima. Tinha a denúncia e a história das supostas vítimas. Na pior das hipóteses, voltaria para Franca com a história completa da vida do padre Dé. O que também não é ruim”, explica Fernanda.

Porém, como o objetivo não era essa última opção, ao ver que não conseguiria os contatos em um único dia, Fernanda se comunicou com os editores e conseguiu mais dois dias de prazo para concluir a sua “missão”.

“Quando você faz uma reportagem investigativa o tempo é tudo”, ressalta.

Através do jornal local de Apucarana, Fernanda tentou encontrar algum arquivo histórico para ver se havia denúncias que envolviam o Padre Dé. Mas, eles não tinham nada arquivado. Então, com o auxilio de outra repórter, conseguiu com o editor do jornal, o endereço de um homem que dizia ter sido vítima de abusos do padre na década de 80. A partir daí surgiram os primeiros relatos em Apucarana, depois de muita insistência e com a garantia de que ele (a fonte) seria preservada.

A primeira narrativa data de 1977. Na época, a denúncia chegou ao então deputado estadual do Estado do Paraná, José Domingos Scarpellini. Ele afirmou em entrevista ao GCN Comunicação, publicada na edição de sábado, dia 10, do Comércio, que dois comerciantes de Apuracana, responsáveis pelas atividades do Cursilho da igreja Cristo Rei, acusaram o padre Dé de abusar de adolescentes de um seminário mantido na paróquia.”Um deles me confessou que estava surpreso com as ações do padre Dé. O religioso vinha, sistematicamente, abusando sexualmente de um dos menores do seminário”. Os denunciantes, hoje falecidos, nunca procuraram a polícia. O caso, segundo Scarpellini, foi passado ao bispo Dom Romeu Alberti e o houve um procedimento interno na igreja, sendo arquivado por falta de materialidade. A Diocese de Apuracana diz não ser capaz de confirmar se houve ou não o caso. Após dez anos, segundo o Código de Direito Canônico, a documentação é incinerada. Ainda em Apuracana, o GCN Comunicações teve acesso a dois cabeleireiros. Eles afirmaram que em 1981, quando tinham 12 anos, viram o padre Dé entrar no quarto em que dormiam 16 seminaristas para abusar de um deles. Os casos relatados por supostas vítimas prosseguem em 1996, em Iturama, no Triângulo Mineiro; em 2002 e 2010, em Franca”. (Leia o relato dos cabeleireiros)

Página 50 da Edição Especial "Essa é Nossa História 1965-1982" da Diocese de Apucarana

Enquanto isso, na terça-feira, em Iturama e São Sebastião do Pontal (MG), o repórter Marco Felippe entrevistou outras pessoas que destacaram pontos comuns em cada história. “Um homem de longa batina branca que vivia cercado por meninos com idades entre 12 e 17 anos, fundava seminários para identificar a vocação dos menores e, mesmo assim, continuava a ser um vigário missionário, viajando, sem assumir uma paróquia por muito tempo. Era polêmico, sem “papas na língua” e adorado pelos fiéis.”

Juntando as duas viagens para quatro destinos distintos, os repórteres do GCN Comunicação percorreram quase três mil quilômetros para encontrar novas histórias e contextos sobre o caso padre Dé.

E as denúncias contra o padre só aumentavam. Conforme se passavam os dias, novas supostas vítimas eram intimadas a depor na DDM. (Leia). A repercussão da matéria de pedofilia contra o Padre Dé coincidiu com os escândalos sexuais envolvendo o Vaticano e a investigação do caso de um padre em Alagoas que havia abusado sexualmente de uma jovem. Fieis começaram a questionar, por meio de comentários postados no site do jornal Comércio da Franca, se seria importante a condição do celibato para os sacerdotes.

No dia 14 de abril, o bispo Dom Pedro Luiz Stringhini confirmou ao repórter Marco Felippe que encaminharia as denúncias contra o padre Dé ao Vaticano. “A decisão de enviar o caso com toda a documentação necessária ao Papa partiu após a publicação de um manual sobre o procedimento da Igreja Católica para os casos de abusos sexuais de crianças por padres, publicado nesta semana pelo Vaticano. O guia diz que a diocese local é a primeira encarregada de investigar o fato e responsável por tomar medidas cautelares para preservar a comunidade e as vítimas. Ainda segundo o documento, a comunicação das denúncias só são feitas se a acusação tiver peso”. (Leia mais).

Segundo Marco e Fernanda, em todas as ocasiões em que foi entrevistado, padre Dé se mostrou bem calmo, com fala pausada e tranquila. Até mesmo quando tentou explicar sobre a “brincadeira do pirulito” no qual as supostas vítimas diziam que o padre segurava no órgão genital dos meninos. “Segundo o religioso, o nome surgiu em homenagem ao palhaço Pirulito e era a forma como se dirigia aos garotos. ‘Antigamente brincava com as pessoas quando não sabia o nome, chamando de macaco. Depois houve a lei, que diz ser um desrespeito, então parei. Como gostava muito do palhaço Pirulito, que fazia a gente rir e se alegrar, então passei a chegar perto e falar Pirulito, não só para coroinhas, mas para todo mundo e não pegava no órgão genital’”. (Leia a matéria completa).

No dia 21 de abril, Fernanda soube que a CPI da Pedofilia iria ouvir o padre Dé. O senador Magno Malta, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, criada para combater crimes sexuais contra crianças e adolescentes, foi quem passou a informação. (Leia mais).

Na edição de hoje, dia 27, “o senador Magno Malta (PR-ES), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, vai oficializar amanhã a convocação do padre José Afonso Dé para uma oitiva na CPI da Pedofilia”. (Leia mais). E os trabalhos jornalísticos em cima desse caso continuam. Fernanda, Marco e Nelise seguem acompanhando o que acontecerá depois que a Justiça comprovar quem são os inocentes e culpados por esse crime.

Anúncios

Written by GCN Comunicação

27/04/2010 às 13:47

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: