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O que é sensacionalismo? Conselheiros debatem o assunto

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Autor(a): Luiz Neto
Foto(s): Divulgação

Jovem afegã Aisha, de 18 anos, sentenciada pelo Talibã a ter seu nariz e orelhas cortados por fugir de casa para escapar das surras do marido

O que é sensacionalismo? A reunião deixou patente que muitos leitores têm compreensão equivocada de seu significado. Corrêa Neves Júnior mostrou, inicialmente sem explicar do que se tratava, foto da jovem afegã Aisha, de 18 anos (à esquerda), sentenciada pelo Talibã a ter seu nariz e orelhas cortados por fugir de casa para escapar das surras do marido. A foto foi capa da Time (uma das mais respeitadas revistas semanais do mundo, publicada nos Estados Unidos), recebeu inúmeros prêmios e foi considerada a melhor do ano pelo World Press Photo, organização independente de Amesterdã, conhecida por realizar anualmente a maior e mais prestigiada premição de fotojornalismo do mundo. Antes dessas explicações, parte dos conselheiros sentiu-se desconfortável com a imagem sinalizando que achavam sensacionalismo. “Eu nem veria a matéria”, disse Iraci. Rita e Marina também não comprariam a publicação que trouxesse foto do tipo. Júnior argumentou que sensacionalismo é a exploração gratuita, sem propósito, de um fato ou situação. E que o exemplo que ele trazia, assim como o material jornalístico tratado pelo Comércio – por mais que incomode ou desagrade – fogem completamente a esse entendimento que muitos tem do que é sensacionalismo. “O bom jornalismo pode causar desconforto, deve tirar da inércia, levar à reflexão. Fazer jornalismo é mostrar os fatos. E às vezes eles são desagradáveis. Mas temos de entender que o problema não é relatar o fato ruim. O problema é ele existir”.

O caso da cadela
O caso de uma cadela supostamente violentada por um homem e que teve sua narração jornalística contestada por alguns dos conselheiros e por alguns outros leitores – por e-mail – também foi alvo de discussões. O maior problema, de acordo com alguns poucos leitores, foram os termos escolhidos para o texto publicado no dia 24 de fevereiro: “estuprada” e “coma”. Entenderam que seriam termos adequados apenas a seres humanos, nunca a animais.

Júnior explicou que fazer jornal diário significa escrever para advogados, médicos, estudantes, donas de casa, gente que se utiliza de português coloquial ou culto, mas também, para quem não tem domínio algum de normas e que a notícia tem que ser entendida por todos. Para nós, “entre duas palavras, temos que utilizar a mais curta. Dentre duas curtas, a mais simples, aquela que possa ser melhor compreendida pelas pessoas comuns, maioria da população.

Não se trata de usar palavras simplesmente por usar, e sim, utilizar palavras que não sejam erradas e que transmitam a mensagem que se deseja comunicar”, disse ele e prosseguiu: “Escolhemos “estupro” e “coma” porque têm significados conhecidos pelas pessoas comuns e, segundo o dicionário Houaiss, significam “ato sexual não consentido” e “catatonismo”, que conseguem traduzir o estado em que se encontrava a cadela.

Finalizou afirmando que “não pretendemos evocar a condição jurídica da cadela. Trata-se, simplesmente, de dizer que alguém violentou o animal e que ele ficou em estado lastimável”.

Written by GCN Comunicação

07/03/2011 às 13:43

Publicado em Institucional

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