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Leitores debatem a fronteira entre o espaço público e o limite privado

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Dirceu Garcia/Comércio da Franca

A primeira reunião do Conselho de Leitores aconteceu no dia 11

Luciano Tortaro

Editor do caderno Local

A tênue fronteira entre o público e o privado em uma empresa de comunicação na maior parte das vezes é incompreensível pelos leitores de um jornal, de um portal de notícias na internet, pelos ouvintes de uma rádio ou pelos espectadores de um telejornal. A dificuldade para esta percepção é inerente à função dos meios de comunicação, que é a de manter a comunidade informada de tudo que acontece à sua volta e servi-la, seja denunciando mazelas do poder público ou abrindo espaço para que expresse sua opinião. Com o advento das redes sociais na web, os meios de comunicação testemunham a ânsia da população para exprimir seu ponto de vista. O fórum de debates, antes restrito à página de opinião dos jornais, hoje ganhou ares ilimitados e atemporais na internet. Comenta-se o quanto e quando desejar. Mas como garantir o direito público de se expressar e, ao mesmo tempo, respeitar os limites legais aos quais está sujeito uma empresa de comunicação no Brasil?

O tema foi amplamente debatido na primeira reunião do Conselho de Leitores 2012 do GCN Comunicação. O encontro aconteceu no dia 11, na sede da empresa. Doze conselheiros – quatro veteranos reconduzidos da formação anterior e oito debutantes – foram recepcionados por diretores do grupo formado pelo jornal Comércio, rádio Difusora AM e Portal GCN (www.gcn.net.br).

Uma sugestão de membros do Conselho 2011 era disponibilizar a opção de “não curtir” nos comentários postados no Portal GCN, assim como existe a possibilidade de “curtir”. O assunto voltou a ser discutido na primeira reunião do grupo de 2012. O conselheiro Éder Brazão, remanescente da formação anterior, defendeu a ideia. Para ele, muitos internautas escrevem disparates que merecem ser “não curtidos”. Para discorrer sobre o tema, o diretor executivo do GCN, o jornalista Corrêa Neves Júnior, citou um painel do qual participou em São Paulo no ano passado. Disse que, no encontro realizado pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), editores de diferentes jornais do País discutiram e apresentaram suas experiências com as redes sociais.

Júnior explicou que toda empresa de comunicação tem regras para publicar opinião em seus veículos, mas nas redes sociais não há o mínimo domínio sobre o que se escreve. “Todo mecanismo que sugira censura tem que ser evitado, mas há que se ter um filtro, para se evitar denúncias infundadas e palavras de baixo calão”, defendeu. O jornalista citou casos de jornais que liberam todos os comentários postados em seus sites e só leem a opinião do leitor após uma possível denúncia sobre excessos. Em casos como esse, se a mensagem for mesmo descomedida, o comentário é excluído. “Outros veículos preferem moderar. Este é nosso caso. Hoje fazemos isso, mas não quer dizer que este seja o caminho para sempre.” Dentro desta postura, disse que a opção do “não curtir” pode fazer com que os autores dos comentários sintam-se ofendidos, atacados, e, por isso, não será disponibilizada no portal. “Mas tudo é evolução, estamos caminhando. A própria democracia se regula.”

A conselheira Adriana Garcia lembrou que no caso da jovem morta após cair de carro no córrego dos Bagres, os comentários viraram uma discussão. “Esqueceram o fato.” O colega dela, Ézio Athayde Souza Júnior concordou com a existência de um filtro, mas ponderou que “a partir do momento em que a pessoa se abre para o mundo virtual, está propensa a receber informações que acha ser um absurdo”.

O diretor do GCN fez questão de esclarecer que a empresa não faz “juízo de valor sobre o juízo de valor dos seus internautas”. Mas que prefere moderar a ser moderado pela Justiça. E é balizado nos limites impostos pelo Judiciário que são tomadas as decisões também sobre as notícias que serão publicadas. “Antes de noticiarmos qualquer assunto, checamos tudo – até mais do que prega qualquer manual de jornalismo. Publicamos o que é verdade e o que é de interesse público. Mas há juízes que entendem que se a notícia, mesmo verdadeira, causar danos aos envolvidos, cabe processo.”

Júnior ponderou que, apesar das dificuldades, há muitos juízes de primeira ins-tância que têm compreendido e defendido a liberdade de expressão, inclusive a importância da crítica e da denúncia responsável. “Na maioria das vezes, quando isso não ocorre, os tribunais superiores têm corrigido as distorções.”

O jornalista completou relatando aos novos conselheiros a difícil missão de decidir o que é notícia no Comércio, no Portal GCN ou na Difusora. “Somos obrigados a sermos menos ousados do que gostaríamos de ser. Pela Justiça, temos de ser mais contidos. Mas assumimos riscos todos os dias, mesmo com a certeza de que o estamos publicamos foi checado e rechecado e de que temos convicção absoluta de que o que estamos publicando é a verdade. Porque nada é pior para nós do que alguém sequer imaginar que somos levianos ou inconsequentes.”
Recepção
A jornalista e escritora Sonia Machiavelli, presidente do Conselho Consultivo do GCN, deu as boas-vindas aos membros do Conselho de Leitores 2012. “Estou no jornal há 39 anos, ele é minha vida. Agradeço a disposição de vocês virem aqui, nos ajudar a fazer melhor o que nos gostamos de fazer.” Ao lado da jornalista, recepcionaram os novos membros do Conselho, o diretor executivo do GCN, Corrêa Neves Júnior; a editora-chefe do Comércio, Joelma Ospedal; o diretor artístico da rádio Difusora, Everton Lima; o gestor de Relações Corporativas e editor de Opinião, Luiz Neto; e o editor de Local, Luciano Tortaro.

Quem são eles
O Conselho de Leitores 2012 é formado por Adriana Ap. Garcia (supervisora de vendas); Ana Amélia G. Ferreira (estudante); Cícero de Oliveira (empresário); Débora Carrijo (contadora); Éder Brazão (empresário e advogado); Ézio Athayde Souza Jr. (empresário e professor); Iraci Pereira (comerciante); Marcel Antônio Santos (funcionário público); Mariza Garcia (professora); Renata Fuzisawa (psicóloga e psicopedagoga); Ronaldo Silva (vendedor) e Valdir Alves (motorista profissional).

‘Hora da Verdade’
Com as férias do apresentador Hélio Rodrigues, o programa Hora da Verdade, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 11 horas ao meio-dia, na Difusora, passou a ser apresentado por Everton Lima com comentários do advogado Fábio Cruz. A nova dinâmica do programa agradou o Conselho. “Eles têm uma postura bem isenta”, disse Éder Brazão.

Colunas sociais
As colunas sociais foram alvos dos conselheiros. O tema foi levantado por Iraci Pereira, que reclamou das “mesmas fotos” na coluna Higininho. A crítica gerou um debate sobre as colunas do Comércio. Insight, Patrícia e Higininho ti-veram suas características debatidas pelo grupo que, bem heterogêneo, divergiu sobre cada uma das três páginas. Júnior disse que, justamente pe-los diferentes tipos de leitores, é que o jornal mantém os três colunistas. “Nossa alternativa é aumentar o leque de opções”, disse Júnior. “Cada coluna tem seu público e o Higininho tem leitores fiéis”, completou Joelma.

‘Pisca pra mim’
O caótico trânsito de Franca também esteve em pauta. O conselheiro Éder Brazão retomou a proposta apresentada pela editora-chefe do Comércio, Joelma Ospedal, de uma campanha de conscientização promovida pelo GCN. A ideia dele é incentivar o uso das setas através do movimento “Pisca pra mim”. Joelma agradeceu a sugestão e disse que a empresa está estudando a campanha.

Written by GCN Comunicação

19/02/2012 às 12:54

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