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Praça Nossa Senhora da Conceição no século passado

Praça Nossa Senhora da Conceição no século passado

Queremos agora que você se lembre daqueles tempos felizes em que nossas únicas preocupações eram tentar tirar notas boas na escola e chegar em casa a tempo de assis-tir Dragon Ball Z. Em meio às aulas de história, quando tentávamos decorar datas, culturas e acontecimentos importantes para nossa sociedade, parecia que algumas décadas não eram tempo suficiente para que mudanças importantes conseguissem se concretizar. Salvas algumas exceções, as alterações aconteciam de maneira tão gradual que mal eram notadas. Mas, em algum ponto, esse mundo começou a ser tomado por “micro-revoluções” poderosas e constantes o suficiente para deixar tudo diferente em algumas décadas.

Por exemplo: se algum americano, que cresceu no início do século passado, fosse congelado e despertasse agora, imagine qual seria a reação do indivíduo quando ver que o presidente do seu país é um negro de sobrenome muçulmano. Mais fácil o nosso herói pensar que está em outro universo do que nos Estados Unidos “do futuro”. Isso porque o último século foi, talvez, o mais “mutante” da história. E em todos os sentidos. Para comprovar isso, o historiador e coordenador do curso de História da Unifran, Anderson Venâncio, trouxe ao Se Liga alguns fatos que contribuíram para a história mundial em 1915 e contou um pouco do que aconteceu com nossos antepassados no mesmo ano que nascia o Comércio.

A Europa e a Guerra
O ano de 1915 trouxe uma expansão da Grande Guerra (como era chamada, na ocasião, a Primeira Guerra Mundial). Até 1914, Alemanha, Inglaterra, França e o Império Russo acreditavam que a guerra seria rápida e decisiva. “Deveria ser um conflito de ‘cavalheiros’, mantendo-se certos rituais de civilidade e respeito mútuo. Porém, o que se via era um conflito com tendências catastróficas. O poder da Alemanha havia sido – equivocadamente – depreciado. Se não fosse a necessidade de enfrentar o inimigo no fronte leste, local em que os russos despejavam milhões de soldados mal armados e alimentados, os alemães teriam jogado a força de sua máquina de guerra e, muito provavelmente, esmagado os franceses”, conta Venâncio. As perdas humanas e materiais davam sinais de que seriam assombrosas. A artilharia pesada, somada às armas químicas e “modernas metralhadoras”, levariam o conflito à uma estagnação que seria conhecido como Guerra de Trincheiras. Até então, a humanidade nunca havia construído máquinas de matar tão eficazes.
• Detalhe: estudos feitos pela Universidade de Aberdeen, na Escócia, mostram que, no fronte alemão, existia um soldado de 26 anos que era constantemente ridicularizado pelos colegas e pouco ia ao campo de batalha. Anos depois, Adolf Hitler se transformaria em um dos maiores facínoras que já pisou neste planeta.

A época, a cultura e as invenções
Enquanto William e Lawrence Bragg recebiam o Prêmio Nobel pela análise da estrutura de cristais por Raios-X, a sociedade vivia num verdadeiro conflito entre na perspectiva de viver num futuro próspero e mode-rno e realidade de que a Grande Guerra transformaria o mundo em caos. Como forma de diversão, as pessoas liam romances, poemas e livros de psicologia. A música seguia os padrões europeus.

No Brasil
Nossa terra passava por lentas transformações. O novo presidente da República, Venceslau Brás, teve de enfrentar as turbulências econômicas que a Grande Guerra estava causando: as exportações de café iam de mal a pior e, ao mesmo tempo, notava-se uma dificuldade em importar bens de consumo (em função da Grande Guerra prejudicar sua produção). “O governo brasileiro passou a incentivar a abertura de fábri- cas para ‘substituir importações’, mesmo sabendo que isso seria uma necessidade passageira, tendo em vista que, para as elites dominantes, a vocação do Brasil era a agricultura”, explica o historiador. Ao mesmo tempo, os espaços urbanos cresciam e com eles uma lenta oposição ao modelo político e econômico adotado. Ainda em 1915, Venceslau Brás mantinha a mobilização do exército para acabar com a Guerra do Contestado, matando considerável número de trabalhadores.
Foi em 1915 que o Congresso Nacional brasileiro aprovou o primeiro código civil na história republicana brasileira.

Franca em ebulição
Se as coisas no Brasil como um todo andavam meio paradas, Franca estava em plena ebulição em 1915. De acordo com relatos do historiador e escritor José Chiachiri Filho, o medo resultante das batalhas causou uma intensa imigração europeia. E muitos deles passaram por esta terrinha. “Naquela época, Franca era um importante polo que ligava Minas Gerais com São Paulo. Na minha opinião, foram os imigrantes que obrigaram essa cidade a crescer, pois, naquela época, aqui era apenas um grande arraial”, afirma.
O aumento do movimento e do dinheiro oriundo dos visitantes e também do café, a cidade foi obrigada a assumir ares mais urbanos, digamos assim. “Foi nesse período que chegaram o telefone e os primeiros automóveis, por exemplo”, diz Chiachiri. “A maioria das ruas ainda não tinha asfalto. Apenas as mais movimentadas eram feitas de paralelepípedos”.

Written by GCN Comunicação

01/07/2013 às 18:12

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